terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mereço estar aqui agora. Sofrendo a morte que sempre desejei. Estou só como sempre quis. Ainda me rendo a teu amor aos teus prantos, vejo-lhe todas as noites a derramar mares de dores dentro de ti. Deixe-me estar com sua alma, venha visitar aqui, o lugar do nada. O nada que estou e que sou.

Henri Amaral

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tempo. Parece que tenho todo o tempo.
Tempo? Para que te quero?
Tempo! Já se foi o meu tempo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O que houve comigo?
Tornei-me tão fria
Que mataria a todos agora mesmo.
O que houve comigo?
Estou sem o entusiasmo criador de sempre
Que exoneraria minha insólita paixão agora.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

E já não pude mais saber
Quem era eu, quem era você.
Simbolizei um amor presumível
Que me afligi viver.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

No Leito da Morte

No leito do hospital. Nunca esperei ter essa morte clichê. São exatas nove horas e vinte e sete minutos, estou sendo levada para o centro cirúrgico, querem levar mais um pedaço desse meu corpo. Câncer por minha culpa. As agências de modelo jamais aceitariam uma branquela pálida. Sem protetor no corpo. Sem protetor da morte.
Enquanto olhava para cima, buscava uma razão. Todos aqueles médicos me olhando, vendo-me como mais uma celebridade morta pelo narcisismo alheio.
Já não me olho no espelho há quase dois meses, essa mancha dominou meu belo rosto. Apenas revejo fitas e mais fitas das quais participei. Ah, como era bela…
Quando me dei conta o médico sacudia-me. Não toque em meus lindos braços! Olhei para os braços. Eram restos de pele e manchas. Não me pertencia mais àqueles membros enxutos de 40 e poucos anos atrás. A juventude não é eterna, muito menos a vida. O médico apenas dizia: Qual familiar irá acompanhá-la? Família? Isto nunca me pertenceu. Jamais pensei em ter filhos. Perder aquela cinturinha que me custou tantos dias de fome. Homens? Aos montes! Ricos de preferência. Mas agora nenhum deles quer uma velha imunda, como eu.
Neste corredor do hospital, alguns rostos velhos me reconhecem e se surpreendem. Consigo sentir o prazer daquelas velhas em me ver assim. Esta é minha quarta e, receio dizer, talvez última cirurgia. As manchas encobrem meu ser, assim como fiz com minha ganância.
Minha mãe morreu em um leito de hospital, mas não pude vê-la, muito menos ir ao enterro. Estava em um desfile Channel, aquele que você jamais perderia em sua vida.
Nunca pensei em como morrer. Agora que estou aqui com todos estes homens tentando encontrar esperança em algo concluído, penso em como morrer. Talvez suicídio, é belo, assim como eu. Talvez homicídio, é curioso. Mas talvez não morrer. A morte sempre me pareceu distante.
E hoje morro do jeito que nunca pensei: sozinha, feia, velha e no leito de um hospital.

Sofia Machado

sábado, 8 de agosto de 2009

Regressei

Não quero que me prenda mais!
Eu voltei, voltei! Meu Deus, por que voltei? Matar não me adiantou de nada. Continuo vivo na terra, sem me enxergarem, mas vivo novamente. Minh’alma vaga pelo mundo. Assim como meu coração vagou.
Agora tenho de suportar toda a dor que me consumiu. De que me adiantou o suicídio se ainda estou aqui? Poderia estar vivo e amar, amar, amar. Não posso mais amar. Acabei para todo o sempre real.
Presentemente, admito que amei alguém. A vejo, é para lá que vou quando não vago. Deixe-lhe, a quero de volta… Ao crepúsculo de cada tempo a vejo adormecer em rios de lágrimas. Afoga-se na dor, assim como me afoguei na morte. A quero de volta…

Hoje, apenas dou meu amor sem corpo, de alma.

Henri Amaral.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ingênuo, ligeiro.

Amável, verdadeiro.

E que não se torne mais um.

Que seja a epopéia do amor...

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"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho..." Mário Quintana.