quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A minha capa de pura tentação e desejo

O corpo é como qualquer material que existe no mundo. Ele envelhece, enche-se de rugas e fica gasto. É como se fosse um caderno velho e usado. O caderno chega ao final com a capa gasta, algumas folhas caindo, mas o que há por dentro, o que foi escrito, ninguém pode envelhecer isso. Pessoas são assim. O que você constituiu na sua vida inteira, uma hora acaba. Mas o que você escreveu dentro do teu caderno velho, ninguém pode mudar.


Carolina Cancela.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Felicidade Instantânea

Ontem eu consegui tocar no meu Eu
E confessar comigo mesma.
Quem é você garota?
Pra que está aqui?
Felizmente, ou infelizmente, ainda não sei.

Foi uma parte da redescoberta do meu Eu.
Senti felicidade instantânea, necessária.
Não vou mentir, e dizer que não chorei,
Chorei e muito, foi um alivio incomensurável.

Mas hoje logo cedo com os pássaros cantando,
O Sol em meus olhos, conseguir dar-me mais uma chance.
E também consegui completar mais uma página,
Dentro de mim,
O diário do nenhum sentido do meu Eu.

Carolina Cancela.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Perder-se

Sentir-se perdido uma vez, duas, ou até três em sua vida é normal, é humano. Mas quando se vive perdido, sem sentido, acho meio que anormal. Hoje não quero nenhuma máscara, quero ser Eu. Achei endereços que podem me dar algum sentido, alguma razão. Entretanto, meu medo é maior, sinto-me fraca, um nada. Cheias dos meus "mas..." vou tentando seguir e achar dentro do meu pequenino pote de ouro o espírito do que, realmente, é viver.

Carolina Cancela

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fake, fake, fake

Disfarçando essa minha pobre angústia com esses sorrisos falsos. Uma poesia é muito convidativa do que um texto reto, assim como as pessoas. Ai mundinho sujo feito de aparência, agora me dei conta que faço parte de você! Carne. Pedaços de carne viramos, algumas preparadas ao molho com carinho e outras viram restos, um quitute. As pessoas viraram isso. Material. Pedaços de plástico, silicone e remédios. Somos isso. O resumo do ser humano é isso. Por isso que hoje me completo de mim. Quando se aprende a viver sozinho, tudo fica mais simples.

Carolina Cancela.

Mais um passageiro

Parece que cada dia que vai passando, e o meu trem esta chegando. Cada vez mais perto. Eu o vejo lá no fundo oprimido, cheio de tristeza. Mas, não vejo a hora desse trem chegar e se acomodar. Pode vir amigo, não tenho medo de ti. Dizem que quando tu chegas, nos leva a lugares incríveis, alguns conhecidos como céu, outros como inferno. Ah, que idiotice meu amigo! Creio que tu chegas pra levar-me longe daqui. Preciso, e muito, ficar longe daqui. Meu único medo é de entrar no teu vagão e perder todos que deixei aqui. Medo de não ter feito tudo. Medo de não ter feito nada. Essa minha angústia pelo teu chegar não há de parar? Entretanto, o meu maior anseio é de fazer você, meu idolatrado amigo trem, chegar e fazer com que eu me liberte e seja quem sempre quis ser.

Carolina Cancela.