terça-feira, 19 de maio de 2009

Gota de Vida

Estava lá eu, cantando e olhando para o nada. É o que faço na maioria das vezes. Só que me deparei com um cachorro de pelúcia, observei cada pêlo, cada pedaço artificial, cada centímetro. E pensei "e se caísse uma gota de vida nele?". Uma gota de vida, como assim? É uma gota de vida, como se fosse mágica, a máxima extraordinária coisa que existe, a vida! E ele pudesse pensar. Que feliz, e infeliz, seria ele ao mesmo tempo. Apenas gota de vida da sabedoria. Ele não precisaria falar, andar, respirar, não! Apenas pensar. Será que o cachorrinho pensaria quem é ele, para que ele é, para onde ele vai? Mas seria bom se ele tivesse uma boca também. É, precisa falar, extravasar. E uma coisa que ela não poderia ter de jeito nenhum, seria o medo. -Mas a vida, não se baseia em alguns medos?- É, pode ser que sim. Mas queria que ele fosse feliz e não tivesse medo. Pudesse apenas viver, e saber o por quê de se viver. Mas acho que nunca poderia dar esse poder para ele, que tantos homens menosprezam.

Carolina Cancela

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