sexta-feira, 31 de julho de 2009

E como pude? Como? Deixar que todo amor florescesse e apodrecesse. Culpa que tenho de tanto amor e sofro pelo o que há de vir.
Se pudesse parar. Mas como? É mais forte que eu. Que meu ser.
E lhes peço perdão pelo amor que criei. Perdão seria pouco! Pediria clemência, remissão.
Tenho-me como imundice completa.
Talvez todo esse amor não resulte em nada mais, por eu não querer ou pela sua metamorfose eterna. Meu único medo é que essa metamorfose resulte em ódio.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

E depois dos 30? - Parte II

Aquele cursor maldito não para de piscar na minha frente, não para, não para. Há três dias preciso mandar algo para o jornal e nada me serve como inspiração. Afinal, quem me mandou trabalhar em uma revista voltada para o publico feminino? Muita futilidade. Aqui nesse setor eu respondo as perguntas, já recebi das mais ridículas às mais interessantes, mas censuradas pela chefona.
Esses dias resolvi ir a uma balada com a minha única salvação, a única amiga não casada. Ela namora, mas me acompanha. No final da noite conheci um cara que nem ao certo sei o seu nome. Bebi demais. Que seja, ele foi até meu apartamento e passamos a noite juntos. Foi bom, mas esquecível. Foi ai que me lembrei dele e resolvi fazer aquele maldito cursor parar de piscar.
Recebi uma pergunta que me dizia: Olá, tenho 23 e sou fã da revista. Gostaria de saber se alma gêmea existe? Ah, e eu vou lá saber se isso existe. Devem achar que trabalho como macumbeira, sou apenas uma jornalista mal remunerada. Quando ia começar a escrever já era hora de voltar pra casa. Guardei a inspiração pro outro dia.
Em casa, larguei tudo na mesa e corri pro banho. Depois me preparei mentalmente para a monotonia de todas as noites.

E depois dos 30? - Parte I

Pode parecer meio grosseiro, mas é algo natural. Depois daqueles filmes de mulheres lindas de 35 anos que são tão ricas e esticadas que parecem ter 25, e aparecem com homens maravilhosos, bolsas da Gucci e Starbucks a todo instante, você se sente um lixo. Amo e odeio a esses filmes ao mesmo tempo. Quero ser igual a elas, mas não posso. Bom, voltando a parte do grosseiro, nesses filmes elas transam feito cachorras no cio, e é impossível negar que não haja inveja. Cheguei em casa, coloquei meu amado Mozart no último volume, abaixei as luzes e fiz um encontro sensual comigo mesma. Sim, me masturbei, e tratei-me mal, pior do que qualquer homem, ou mulher poderia tratar. Senti-me um lixo, e dei-me conta do quanto preciso de alguém, mesmo que seja apenas sexo. Hoje, com meus 29 anos, solteira, formada em Psicologia e Jornalismo, acho que já é hora ter algo sério.
Desde meus 14 anos, quando dei meu primeiro beijo, nunca quis nada sério. Dos meus namorados o relacionamento mais sério durou 3 meses, e não foi lá aquelas coisas de conhecer família e ter aliança, apenas namorico. Nunca tive uma sogra. Nunca fui nora. Não me sinto fracassada por isso. As maiorias das minhas amigas, que tem mais ou menos a minha idade, são casadas ou são noivas. Acho uma babaquice namorar, noivar e casar, pra mim tudo é um tédio no final. Mas desde esse encontro comigo mesma, estou precisando de alguém. Faz mais de 3 meses que não me relaciono com alguém, ando ocupada. Trabalho demais.
Tive médico hoje de manhã. Ginecologista. Essa palavra me causa medo e tesão. Meu médio é gay, mas olhei para ele com um olhar diferente hoje. Tentei, vamos dizer que, seduzi-lo. Se deu certo? Foi uma péssima idéia. Ele falou que mesmo se fosse hetero jamais me daria bola porque a minha vagina está mais mal cuidada do que de uma vaca. Tá, ta... Não foi bem isso que ele disse. Apenas recebi um olhar de “Hello, sou gay!”, e me pediu para voltar apenas daqui 6 meses. Esse, francamente, não é o homem dos meus sonhos.
Minha busca continua...
Enchi a vida e as vidas de expectativas. Nenhuma delas daria certo, mas mesmo assim, insisti.

domingo, 26 de julho de 2009

Hoje ouvi falar de Jesus

E hoje ouvi falar de Jesus. Estava no metro, aquelas mesmas pessoas exaustas da rotina, dentre todas, uma me irritou, mas logo depois me chamou a atenção. Era uma daquelas senhoras evangélicas. Cabelos compridos, saias longas e Jesus na língua e no coração.
É um preconceito meu, mas esse tipo de gente é influenciável. Entre o barulho do vagão e as palavras delas, Jesus era o que mais dizia. Jesus salvação, Jesus sofredor, Jesus humano, Jesus.
Dizia-me como era o caminho para o céu, deveria me apoiar nele que me faria subir degrau por degrau. Na hora me deu vontade de falar: Só porque a senhora leu um livro de ficção, acha que pode chegar aos céus assim. Mas ai, eu seria ignorante. Segurei-me mais um pouco. Mais uma estação. A mulher ainda continuava a falar no bendito Jesus. Foi quando ela me deu um sorriso, mas foi tão sincero, tinha tanto convicção naquele sorriso que parei de ouvi-la e comecei a olhar ruga por ruga do seu rosto. Olhei as meias, o sapato, tudo nela. Ela era tão feliz apenas por falar de Jesus para os outros. Aquele sorriso era verdadeiro demais para ela não ser feliz. Foi ai que pensei: será que ela já teve alguma decepção na vida? Será que duvidava de Jesus e hoje acredita por medo da morte? Será que a influenciaram a isso? Pode ter sido tanta coisa. Mas uma coisa era certa: Hoje eu ouvi falar, e muito, de Jesus.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

E já vi que não é possível escrever o que sinto em terceira pessoa.

domingo, 19 de julho de 2009

Já me sufoco de tanto medo pelo o que acontece, imagine pelo o que há de vir...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

E se todo o amor incumbido em mim
Fosse jogado ao mar
E voltasse, repentinamente,
Sentiria-me feliz?

Será que se todo esse amor
Que não há quem o queira
Ou quem já quis
Fosse embora, sentiria falta?

Todo esse amor...
Tolo todo esse amor...
Amor tolo.
Mas que dói, e como.

Morreria por esse amor
Que nem sei mesmo se é amor
De tanta dúvida que tenho
Se, verdadeiramente, ele possa existir.

Carolina Cancela.
Talvez se deixasse toda a vontade dominar o meu corpo, seria morta pela moral imposta por mim mesma. E se a vontade de minha mente fosse praticada, seria morta pelos homens.

sábado, 4 de julho de 2009

E parece que mesmo depois de muito tempo, a mesma dúvida, arrependimento e dor batem à porta. Apenas olho para a fechadura e digo para esperarem um pouco mais. Mas elas empurram a porta com toda a força e acho que já não posso mais deter isso sozinha.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

E de tanto ódio acumulado pelo meu ser, seria capaz de explodir em puro sangue agora mesmo. Não tenho tanta certeza se quero eu viver assim. Apenas tenho certeza da solidão, mas me refiro à solidão dos bípedes inanimados. Apenas.