domingo, 2 de agosto de 2009

Ilegítimo da Vida

Fui teu bastardo. Ingênuo bastardo. Nasci do ódio, traição, desejo, paixão, sexo, momento. Quero que sinta-se culpado pelo resto de seus dias na terra e no inferno. Passei fome, mas não só de comida. Passei fome de amor. Passei dias sem comer e sem amor. Passei a vida sem existir. Passei. Acabei.
Acabei aqui na água. Quando era criança adorava ao mar, mesmo nunca pisando nele. As fotos dele me traziam alegria, parecia que vinha felicidade nas ondas e nelas iam embora a tristeza. As fotos do mar faziam-me feliz. Já você? Fez crescer horror dentro de mim.
Fui rejeitado pela vida. Rejeitado pelo ventre de minha própria mãe. Acabei em água. Pedi apenas que Deus me protegesse e parecia que era mudo para Deus, só afundei na água. Queria, ah como queria, ter tido amor.
Desgosto em viver foi o que tive. Nunca quis mulheres para a vida toda. Só tive momentos de paixão, assim como meu fruto. Transei com milhares de mulheres e me embebedei todas as noites. Fiz isso à procura da felicidade. Encontrei? Sim, claro. Felicidade em momentos. Não para a vida. Acabou em água.
Sai do meu corpo. O vejo lá afundando. Maldito corpo! Que me impregnou durante a vida. Não o quero mais. Deixo todo o sexo e prazeres inúteis da vida com ele. Levo comigo apenas o amor. O amor que nunca tive.

Henri Amaral

3 comentários:

Giovanna disse...

que texto Forte, mas muito bem Elaborado. Você sabe escrever muito bem. E leve contigo o AMOR, se nunca teve, lute para que ele chegue em sua vida. x)

unk disse...

acho que você devia dissertar sobre a música: vem meu cachorrinho.
bjos

Sr. Stievano disse...

eu gostei.

nós somos capazes de retribuir sentimentos que nem conhecemos. Sentimento é mais carnal/espiritual do que racional.

Belo texto.